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Recuperação do Centro Cultural da Usina do Gasômetro

Porto Alegre – RS
Projeto: 2016-2017
Área total construída: 10.351,35m² (com 490,25m² de novas instalações)

OBJETIVOS:

O projeto de Recuperação do Centro Cultural da Usina do Gasômetro busca valorizar e preservar a edificação como patrimônio de inestimável importância para a cidade de Porto Alegre.  Para tanto, propõe soluções que destacam suas qualidades e características originais e, ao mesmo tempo, alterações, adições e subtrações pontuais que visam modernizar sua infraestrutura, adequando-a às exigências de uso atuais. Dessa maneira o Gasômetro se transformará em um equipamento com condições adequadas para que seu enorme potencial cultural seja plenamente aproveitado por seus usuários, garantindo assim a preservação desta que provavelmente é a imagem construída mais icônica de Porto Alegre.

PROPOSTA:

O projeto para a Recuperação da Usina do Gasômetro visa qualificar o espaço para que este exerça toda sua potência como Centro Cultural. Assim, as instalações e espaços serão adequados às atividades desenvolvidas proporcionando maior qualidade para a experiência dos visitantes e grupos culturais que hoje promovem atividades na Usina. Para isso a proposta foca na setorização do Centro Cultural, qualificando os acessos e circulações; e nas infraestruturas e instalações, proporcionando conforto ambiental, suporte técnico e espaços de apoio necessários para o atendimento dos usuários e visitantes.

Além disso, o projeto prevê a oferta de espaços gastronômicos, como bar, café e restaurante, novos sanitários em todos os pavimentos, climatização de todos os ambientes, adequação do prédio às exigências de prevenção de incêndio, novos elevadores e monta-cargas, novas instalações elétricas e hidrossanitárias, além da segurança patrimonial e dos usuários através do controle de acesso.

Basicamente, as intervenções se referem à recuperação das estruturas históricas, relocação dos acessos, recepção e portaria, proposição de novo zoneamento e setorização das atividades e circulações, qualificação dos espaços para atividades culturais e exposições, abertura dos terraços do 4o pavimento e promoção da acessibilidade universal à todos os ambientes.

Todas as propostas desenvolvidas atendem às exigências do Termo de Referência constante no contrato firmado entre a Secretaria Municipal de Cultura e a 3C Arquitetura e Urbanismo. O projeto busca, ainda, se adequar às demandas identificadas ao longo do processo, especialmente às levantadas junto aos usuários do espaço e também com os seus gestores.

Vista da entrada principal Sul

CONCEITOS DE PROJETO:

CONSERVAR, SUPRIMIR E ANEXAR:
As 3 ações de projeto em um edifício tombado são conservar, suprimir e anexar. Conservar o que tem valor histórico e artístico, restaurando suas condições originais e valorizando o patrimônio. Suprimir os espaços e elementos que deturpam o edifício, os improvisos, as instalações temporárias e provisórias, as gambiarras. E anexar novos espaços e elementos que agreguem qualidade ao edifício sem ofender o seu patrimônio, as novas instalações, os espaços complementares e de apoio, a qualificação e modernização dos espaços existentes.

METÁFORA DA MATERIALIDADE –

Ilustração do conceito da materialidade do carvão e da água.

O CARVÃO E A ÁGUA
A equipe de projeto realizou ampla pesquisa e discussão para elaborar o conceito de intervenção. A escolha do carvão e da água – matérias primas originais para produção de energia – representam uma analogia desses materiais originais com os materiais, acabamentos, revestimentos e tecnologias utilizadas na proposta de reforma do edifício. O carvão como uma referência ao edifício original e a sua atividade fundadora, assim como uma representação da ancestralidade e da história e uma relação conceitual com o antigo, o bruto, o opaco, o durável, o permanente. A água é uma referência ao atual, ao fluído, ao passageiro, é uma representação das pessoas, dos eventos, do presente e das atividades atuais e futuras, relacionada aos materiais transparentes, leves, novos, brilhosos, temporários. Ou seja, o carvão e a água são recuperados no projeto como uma metáfora das matérias primas originais e também como uma constante referência para a tomada de decisões de projeto.

RECUPERAÇÃO E PRESERVAÇÃO DOS ESPAÇOS ORIGINAIS
A proposta de projeto visa valorizar e destacar o uso original da edificação. O visitante precisa entender com clareza que a Usina do Gasômetro foi local de produção de energia elétrica a partir do carvão. O levantamento exaustivo realizado nas etapas iniciais do projeto permitiu a clara identificação dos espaços mais originais e com maior valor histórico e cultural. Os espaços que receberam atenção especial no projeto foram: a Nave Principal onde ficavam as caldeiras, as Fornalhas no térreo, a Galeria dos Arcos que eram as estruturas de suporte das turbinas (rotores), a Sala 309 e seu piso original de ladrilho hidráulico, as Tremonhas de armazenagem do carvão, o terraço do segundo andar local da britadeira e elevadores do carvão e o 6º andar onde ficavam as esteiras que jogavam o carvão nas tremonhas. Todos esses espaços receberam atenção especial no projeto de maneira a recuperar e evidenciar sua condição original e seu papel no edifício quando esse era uma usina termoelétrica.

Diagrama de recuperação e preservação dos espaços originais.
Vista interna da Nave principal.

ATIVIDADES CULTURAIS
O projeto parte também da premissa de  valorizar e qualificar os espaços culturais existentes, além de ampliar a oferta de tais espaços. Os locais que hoje abrigam as atividades culturais serão melhorados enquanto alguns serão relocados, para beneficiar suas condições de uso. Outros ainda são introduzidos, oferecendo uma maior diversidade cultural ao prédio. O acesso à estes espaços foi reorganizado de forma a permitir que todos possam funcionar de forma autônoma e sem interferir no funcionamento dos demais. As circulações permitem que os espaços culturais sejam fechados e abertos conforme a conveniência da programação da Usina. Em todos os pavimentos há previsão de áreas de apoio – sanitários, depósitos, monta carga, instalações diversas – tudo focado em qualificar o funcionamento das atividades abrigadas no Centro Cultural.

Perspectiva interna da Pinacoteca.

RUA DA PRAIA Nº 10:

Rua da Praia nº 10 é o endereço original da Usina do Gasômetro. Ali, na beira do rio junto ao Gasômetro, iniciava a rua mais famosa e simbólica da cidade, antes da construção do Muro da Mauá e mesmo antes da abertura da Avenida Presidente João Goulart. A recuperação do endereço histórico tem por objetivo fazer a ponte do passado com o futuro da Usina. Rua da Praia nº 10, antigo endereço da central termoelétrica, será o novo endereço do Centro Cultural.

GASÔMETRO É A ESQUINA ENTRE O CAIS E A ORLA
A localização da Usina do Gasômetro, além de sua histórica ligação com a Rua da Praia, tem uma posição privilegiada entre duas grandes áreas públicas da cidade junto ao Rio Guaíba – o Cais Mauá e a Orla. Ambas passam por processos de transformação com objetivo de qualificação dos espaços e abertura para toda a população porto alegrense. O Gasômetro configura-se, pela sua posição, como a grande esquina entre o Cais e a Orla.

GASÔMETRO É UMA GRANDE “PRAÇA COBERTA”
A relação da Usina com a Rua da Praia, e consequentemente com Centro Histórico, e sua posição entre as grandes áreas públicas da cidade junto ao Rio Guaíba – o Cais Mauá e a Orla, transforma também o edifício em uma grande praça coberta, ponto de encontro e convergência, que oferece abrigo e atividades culturais que complementam as atividades lúdicas e ambientais do entorno. O acesso a essa praça coberta é pela Rua da Praia nº 10, na face norte, ou pela face Sul do prédio, junto ao largo localizado à sombra da emblemática chaminé do Gasômetro. A Galeria dos Arcos passa a ser dessa maneira um espaço de passagem privilegiado e qualificado entre o Cais e a Orla.

Os acessos principais para o Centro Cultural segundo a proposta.

PASSEIO DAS ARTES – A RUA COBERTA QUE CONECTA OS TERRAÇOS DA USINA
No quarto andar, sob as tremonhas, está previsto o Passeio das Artes, uma espécie de rua coberta e ambiente de encontro, exposições e atividades múltiplas da Usina das Artes. O Passeio das Artes fará a conexão entre os dois terraços, o Terraço do Pôr do Sol e sua vista magnífica para o Rio Guaíba e o Terraço da Rua da Praia e sua vista para a cidade e para o novo Parque do Gasômetro.

Vista interna da proposta para a Rua Coberta – Passeio das Artes

OS 3 VOLUMES DO EDIFÍCIO
Os estudos iniciais permitiram a identificação dos 3 volumes – bloco principal, bloco oeste e bloco leste – e orientaram as soluções de projeto. No bloco oeste, relacionado com o Rio Guaíba, as suas características espaciais e novos acessos propostos orientaram as decisões de localizar as atividades com maior demanda de público. O bloco principal, dominado pelo volume da Nave, abrigará principalmente as atividades de exposições e outros usos diversos. O bloco leste, relacionado com o Centro Histórico, abrigará espaços gastronômicos em condições de funcionamento autônomo.

O Centro Cultural ganha mais flexibilidade e autonomia com a segmentação de três grandes áreas, segundo o novo zoneamento.
Perspectiva do Terraço Pôr do Sol, localizado no 4º pavimento no lado oeste da edificação.

ACESSO E BLOCOS DE CIRCULAÇÃO VERTICAL
Os novos acessos norte (Rua da Praia e Cais Mauá) e sul (Orla) configuram a Galeria dos Arcos como o grande ambiente de chegada e distribuição da circulação e acesso aos espaços internos. A circulação vertical na Usina foi completamente reformulada. A circulação foi resolvida com novas escadas e elevadores, localizados em posições estratégicas para que o edifício e seus espaços possam funcionar com autonomia e independência. Será construído um “edifício dentro do edifício” para abrigar as novas escadas, os novos elevadores, o monta cargas, novos sanitários em todos andares, e áreas de instalações e infraestrutura. Além desse bloco principal de circulação, outros 3 estão previstos para atender à demanda de uso e também à rigorosa legislação de incêndio.

Novas circulações, segundo a distribuição dos fluxos e nova compartimentação do Centro Cultural.
Perspectiva interna da proposta para a Galeria dos Arcos

ATIVIDADES PARTICIPATIVAS:

Imagem da oficina que reuniu usuários da Usina para colaborarem na elaboração do projeto de requalificação da mesma.
Painel que reúne sugestões dos usuários para projeto do Centro Cultual da Usina do Gasômetro na primeira atividade proposta para a Oficina Participativa.
Painel que reúne sugestões dos usuários para projeto do Centro Cultual da Usina do Gasômetro na segunda atividade proposta para a Oficina Participativa.

EQUIPE DE PROJETO:

Autores:
Arq. Tiago Holzmann da Silva
Arq. Leonardo Damiani Poletti
Arq. Alexandre Pereira Santos
Arq. Leonardo Hortencio
Arq. Pedro Terra Oliveira
Arq. Flávio Kiefer e Arq. Lídia Arcevenco

Colaboradores:

Arq. Sofia Panitz Bicca
Arq. Angélica Magrini Rigo
Acad. Jean Michel Fortes Santos
Acad. Flórence Acosta
Acad. Mariana Mincarone
Acad. Paulo Carvalho

Complementares:
Sr. Evandro Medeiros – coordenação e compatibilização de projetos
Eng. Éverton Rigo Ayres – Projeto Estrutural
Eng. Alexandre Ventura Olmos – Elétrico, Telefonia, Sonorização, Lógica,
Segurança, SPDA e Automação
Eng. Eneida Borges – Projeto Hidrossanitário
Eng. Renata Giacobo – PPCI
Arq. Sandro Zanini – Projeto Luminotécnico
Eng. Fernando Cammerer – Projeto de Climatização
Arq. Flávio Simões – consultoria em projeto de acústica